Dia 15 voltamos à casa dos 400 anos (dos 500?), às suas paredes com cabeças de animal, ao seu ar sufocantemente húmido, à sua grandeza única e à sua única grandeza, o ponto de reunião de toda a família. Espero encontrar os pianos, os quartos, a cozinha, a pequena sala, a grande sala e o salão gigante (pensando nisso sempre foi muito mais pequeno do que eu imaginava, eu é que cresci entretanto), os telhados, o gato amarelo gordo e as almofadas dos velhos de antes. Entro e tenho a sensação de estar num filme do Milos Forman, com o Mozart a rir freneticamente na varanda, quase consigo recrear todos os dias que aí passei, especialmente os Natais, os mais mágicos do Mundo.
O jardim, onde em pequeno temia as cobras de água, agora é mais simpático (ainda nos esperará a piscina artificial?). A história da família escreve-se assim, devagarinho. Encontrámos o ponto mais longe, mas refundido para o encontro, agora anual. Vemo-nos assim, sempre mais velhos, portanto com mais histórias para contar.




