Arquivo de Outubro, 2008

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Domingo é…

26 Outubro, 2008

…ficar em casa a ouvir música que fez parte de outro tempo e ficarmos surpresos por ainda saber as letras de cor.

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Hoje

23 Outubro, 2008

Pela primeira vez este ano…

imagem retirada da Internet

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À nossa espera…

23 Outubro, 2008

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Filme ‘Toy story 2′

15 Outubro, 2008

Em 1995, a Pixar Animation Studios lançaria a sua primeira longa-metragem de animação, Toy Story. Esperada com ansiedade por milhões de pessoas (falava-se do melhor filme de animação da história do cinema), veio a revelar-se um sucesso tanto no público em geral, como na crítica, cotando-se com 100% nos Rotten Tomatoes. Eu, pela parte que me toca, lembro-me bem da sensação que me causou na altura uma história bem montada e uma apresentação impecável (o primeiro filme completamente digital a que assisti), que com o tempo fez com que eu viesse a ter o maior respeito pela empresa que o criou e pelos seus produtos em geral. Esta, por sua vez, veio a revelar-se uma das mais importantes produtoras de filmes de animação da actualidade (o Renderman é usado em filmes de todos os géneros, não só de animação), senão a mais importante, tendo recentemente lançado o fabuloso WALL-E, o melhor em animação e, se não o melhor, no mínimo um dos melhores argumentos que já criou.

Hoje vi Toy story 2 (1999), realizado por John Lasseter, e senti algo muito diferente do descrito no parágrafo anterior: uma história que por vezes se arrasta, uma animação que em pouco ganha em relação à primeira tentativa, um filme agradável no geral, mas insuficiente no pormenor. O primeiro era fresco, fazia-nos esquecer que estávamos perante um filme de animação, não era tão mainstream, com tantas piadas já mais que conhecidas. Claro que Toy story 2 tem momentos muito bons, especialmente quando a cena do Al’s Toy Barn salva o filme que estava a entrar na fase do síndroma de fim de filme. Tem ainda algumas referências interessantes a outros filmes e outros ícones culturais (Matrix, Barbie, Star wars, Toy story, Linux (o Tux), a bug’s life, 2001: a space odissey, entre outros), que são pequenas distracções que na maioria das vezes (e aqui também) gosto: a Pixar sempre soube como e quando colocar os pequenos gags nos seus filmes.

Mas, recentemente, faz dois ou três dias, vi pela primeira vez The iron giant (Brad Bird realizou-o e mais tarde viria a realizar outros para a Pixar) e, tendo os dois estreado no mesmo ano, considero o fosso entre eles colossal. The iron giant não pretende ser o melhor filme em grafismo digital de todos os tempos (se bem que é suficientemente interessante para não nos lembrarmos dos bonecos), antes confiando as suas qualidade a um argumento de alta qualidade. Toy story 2, talvez por não ter dos argumentos mais interessantes com que a Pixar nos tem vindo a presentear, talvez porque eu o compare agora com The iron giant, perde por não conseguir compensar, em última análise, com uma boa apresentação (claro que a animação da altura era muito inferior à de hoje, mas o Toy story original sugava completamente o espectador, mesmo o segundo filme, a bug’s life, o conseguia fazer melhor Toy story 2). No entanto, se bem que possa ter sido excelente na altura (obviamente que com 19 anos a minha percepção do filme teria sido diferente – vi milhares de filmes desde essa altura, dezenas dos quais de animação), com o tempo perdeu aquele toque. Woody é dos pormenores mais interessantes (talvez o único personagem que evoluiu entre os dois filmes) e Hamm o meu parceiro favorito (John Ratzenberger dá-lhe muita vida e a maior parte das piadas inteligentes do filme). Ah, e não esquecer o vilão Al: não muda o papel que faz em todas as séries e filmes em que entra, mas aqui o fato (chicken) assenta-lhe especialmente bem.

Este filme sofre, na minha opinião, do síndroma da sequela. Não pretendo menosprezar o filme, as opiniões variam e de certeza que será filme favorito de muitas pessoas (afinal o tema da criança que ama os brinquedos, os brinquedos que tomam vida quando os humanos não estão lá, o sempre presente tema da amizade e da sua importância, a possibilidade de perda, a inversão do papel sobre o brinquedo saber que a criança pensa que ele sabe exactamente isso, etc., nunca deixam de ser importantes), mas a verdade é que não me emocionou especialmente. Inicialmente a intenção da Pixar era lançá-lo directamente para vídeo (os executivos da Disney, no entanto, viram-no em desenvolvimento e decidiram depois ampliar-lhe o perímetro e prepará-lo para uma estreia nas salas de cinema) e talvez esse tivesse sido o seu final mais digno.

Resta agora esperar que o Toy story 3 (2010) recompense mais do que este. Mas este percalço não me faz deixar de acreditar na Pixar, antes pelo contrário, ansiar pela próxima grande obra: é talvez a associação com a Disney e com o Steve Jobs que me impede de o fazer!

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Orçamento de estado para vegetarianos

14 Outubro, 2008

Aditamento à lista i anexa ao Código do IVA
São aditadas à lista i anexa ao Código do IVA, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 394-B/84, de 26 de Dezembro, as verbas 1.1.6, 1.4.9, 2.1-A e 2.21-A, com a seguinte redacção:
«1.1.6 – Seitan.
1.4.9 – Bebidas, iogurtes e sobremesas de soja, incluindo tofu.

in Orçamento de Estado 2008

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Filme ‘The iron giant’

13 Outubro, 2008

Quando se pensa fazer uma lista dos melhores filmes de animação que já se viu, esta não deve ser dada por concluída antes de se ver The iron giant (1999), de Brad Bird. Porque por quanto mais não fosse, quando num filme se vê um robot dar a vida por seres humanos que o atacam (e a moral suprema é, neste, o sacrifício), pouco argumentos se podem usar para contrariar a noção de que algo está muito errado nesta coisa das guerras… Este gigante veio não se sabe de onde, ele próprio também parece não o saber. Descobrimo-lo ao mesmo tempo que ele a si próprio, como uma criança que de pequena aprende a falar, a distinguir o bem do mal, o que é a morte e que as armas matam (ao mesmo tempo), que a alma é imortal… enfim, que aprende e que explora!

Hogarth vive numa pacata cidade perto da floresta e da costa onde um certo dia de noite, no ano de 1957 (Sputnik era a notícia do momento), um visitante inesperado aterra: sabe-se que vem do espaço porque é assim que o filme começa… Vive a desejar um animal de estimação, até que um dia, ouvindo barulhos no quintal da sua casa, segue um rasto de destruição até uma floresta onde trava conhecimento com uma criatura que se encontra em apuros (numa ânsia de fome, o gigante de ferro vê-se electrocutado por uma estação eléctrica – sim, porque este gigante come ferro) e que salva, não sabendo que se viria mais tarde a tornar o seu melhor amigo (pelo salvamento, acima de tudo) tão desejado no animal de estimação que a sua mãe nunca quis que tivesse. O gigante retribui e ambos se tornam amigos. Mas o perigo esconde-se atrás de um agente do FBI (o mesmo que no fim grita Fogo!), sedento de promoção, que fará tudo ao seu alcance para destruir o gigante que considera uma ameaça à sua pátria, pela qual se recusa, no entanto, a dar a vida no fim, ou o que quer que seja: o patriotismo tem destas! É em torno dos temas da amizade, da tolerância, do sacrifício e do horror da guerra que o filme se desenvolverá.

Filme para miúdos e para graúdos, não condescende, trata a moral de que o uso de armas não traz benefício a ninguém (até o gigante, que é em si uma arma, tenta não se defender quando atacado, porque lhe é ensinado que matar é mau) e ganha especial pertinência por ser inserido na época de 1950, nos EUA, altura em que a guerra fria já tinha um papel importante na vida das pessoas e o tema da guerra nuclear era algo corrente (a dada altura no decorrer do filme um dos anúncios de TV desta altura sobre o holocausto nuclear, recorrente nos EUA, é parodiado). Este tema estende-se (sendo analisado à luz da década de 1990) por grande parte do filme. You are what you want to be, diz Hogarth para o amigo, indicando para o tema subliminar do filme, cuja subtileza no tratamento só espectadores mais velhos idade conseguirão apreciar. Os mais novos, no entanto, também conseguirão amar o filme pelo que este apresenta a outro nível, uma história no estilo de E.T. onde um miúdo tem o poder de guiar um extra-terrestre e de o ensinar (não sonhávamos todos, em pequenos, de encontrar algo completamente fora deste mundo e que ainda assim pudesse tornar-se no nosso maior amigo?). A magia de um filme com estas características não é fácil de igualar.

Hogarth é ainda a criança que acaba por muito aprender com o gigante, especialmente quando este assimila as suas palavras e as traduz no maior acto de amor possível, mostrando tolerância pelo desconhecimento, pelo próximo, pela ignorância, oferece a sua amizade pela amizade em si e, por último, se sacrifica. Pela perda, Hogarth, como o espectador, crescem mais um bocado, dão mais valor à vida que todos os dias devem saborear e às acções que nela pode conduzir em prol do bem. E, no entanto, e no meio de tudo isto (não se vá pensar que o filme é só moral e descontentamento), ainda existe tempo para comédia pura: veja-se, por exemplo, o gigante a imitar Hogarth a saltar para o lago ou a cena da mão a atravessar a sala de jantar.

Não se espere um grande filme cheio de efeitos especiais, ou a última tecnologia gráfica (para isso temos o excelente WALL-E, também munido de um grande argumento), sendo estas as únicas “fraquezas” do filme. Brad Bird realiza a sua primeira longa metragem depois de vários sucessos com os Simpsons e por isso não é de espantar que The iron giant” apresente um argumento sólido, pelo qual vale já muito.

A Warner Brothers Animation não lança muitos filmes de animação (lançou cerca de 10, a maioria sem qualquer interesse), mas este é um tiro certeiro na mosca.

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Da honestidade

11 Outubro, 2008

A penúltima vez que me deram dinheiro a mais num troco foi quando me encontrei em Lisboa, há não muito tempo (não me lembro de qual a ocasião, só do acontecimento). A última vez que me deram dinheiro a mais em troco, foi hoje, ao comprar uma baguette, numa padaria paloise…

- Monsieur, vous m’avez donné dix centimes de plus.

- Ah, ouais, vous avez raison. Merci beaucoup, monsieur, et bonne soirée.

Aprendi a devolver o troco que recebia a mais tinha 13 anos. Comprava a série de Dragonball Z, em cassete VHS, e voltei a casa para me gabar ao meu pai de ter recebido cinco euros a mais no troco (na realidade fazia muito pouco tempo que começava a lidar com dinheiro), depois da compra na papelaria Garrett, que ficava ao lado d’O Batuque. O meu pai não me repreendeu, antes me explicou que era importante eu devolver o dinheiro (como bancário que foi tinha uma maneira diferente de encarar o dinheiro, e esta foi uma das pequenas lições ensinadas – as outras de etiqueta do dinheiro ficam para mais tarde): as palavras ao certo não me lembro, mas a intenção foi esta. No dia seguinte devolvi o dinheiro; em Lisboa, no outro dia, também; hoje também.

A cada vez que um episódio deste tipo se passa comigo ainda continuo a lembrar-me dessa história de quando tinha 13 anos.