O comboio passou pela cidade, mas eu decidi ficar em casa.
Arquivo de Janeiro, 2009

Cinema: resumo 2008
14 Janeiro, 20092008 foi, como o têm sido todos os anos desde que me lembro, um grande ano, cheio de altos e baixos, muito bons e muito maus momentos (estes talvez entre os piores que já me assolaram), mas um grande grande ano, de toda e qualquer maneira. Foi hipótese de me estudar, de estudar outros, de crescer bastante, enfim não só para os lados, foi altura de ganhar muito e de perder um pouco. Foi um ano cheio de apostas e creio que boas, porque os seus frutos foram muito importantes para mim e, portanto, para os que me rodeiam. Planeamento ahoy, garantiste-me tudo o que precisava para acreditar em alguma previsibilidade (e na sua importância).
E como toda a gente faz resumos de tudo e mais alguma coisa, também quero aqui deixar o meu resumo para Cinema 2008. Não é costume fazê-lo, a não ser apresentar uma pequena lista “os melhores do ano”, mas quero que signifique algo e possa também apontar alguns (os que lêem conhecem-me, portanto…) no bom caminho em que também fui apontado por dois grandes amigos em 2004/2005 e que tenho vindo a percorrer acompanhado pela Sofia, felizmente… A ti, o meu amor eterno!
Recolhi todos os nomes de filmes que vi em 2008 (se não todos, pelo menos os mais importantes) e cheguei ao número de 154. Escrevo um pouco sobre filmes ou realizadores (ou tento), a partir de agora.
Os eternos campeões
Wong Kar Wai encabeça a lista com 2046. Este senhor tem vindo a provar-se tão valioso na minha vida que obviamente se mantém na lista de eternos campeões (são cerca de 200 os meus “eternos”). A sua filmografia encontra-se não só entre a mais importante que já conheci, mas também entre a mais bela. Um bom ano para este senhor. Recomenda-se tudo dele (em 2008 ficam ainda Dung che sai duk, My blueberry nights, Happy together, Dung che sai duk redux e In the mood for love).
Martin Scorsese consegue manter-se nesta lista, com After hours. Bem sabemos que o senhor não tem estado em forma ultimamente, mas tem muito que se lhe diga sobre o seu passado e sobre a sua contribuição para a arte por excelência que é o cinema. Grande 2009 também para ele (de referir ainda é The last temptation of Christ).
Os Coen brothers apanharam-me desprevenido com No country for old men, mas rever algumas das suas obras precedentes compensam tudo o que têm feito recentemente (Barton Fink figura nos assinaláveis, Blood Simple vale mesmo a pena, Brother, where art thou? é uma surpresa bastante agradável e não só para amantes de blues e The hudsucker proxy é uma comédia parva a evitar). Festas felizes para os senhores.
Paul Thomas Anderson é um Senhor. Merece o que tiver, porque os seus filmes merecem o bom público que têm. Tudo o que eu poder pôr a mão deste senhor, ponho, sem hesitar. Por favor dá-nos mais Boogie nights, Hard eight, There will be blood, Punch drunk love, tudo.
O outro Anderson (no início ainda o confundíamos, mas o estilo não tem nada a ver) é o Wes e este também se mantém em grande estilo na lista. Viu-se Bottle rocket, Rushmore, The darjeeling limited e The royal Tenenbaums. Não só se fizeram planos imediatos para visitar a Índia como se fizeram planos imediatos para comprar todos os seus filmes (vá, os DVD que as fitas são caras!). Alguém com um universo tão particular, tão reconhecível e tão disposto a partilhar só pode ser boa pessoa. Agradece-se todas as pequenas ironias, todos os pequenos desentendimentos, a vida assim seria um mundo completamente diferente, e pode ser! E oferece-se um bom ano…
Akira Kurosawa, Woody Allen, Chan-wook Park, Charlie Chaplin, Michael Cimino, Yasujiro Ozu, Kenji Mizoguchi: tudo de bom!
Quem surge do nada e se torna campeão
Werner Herzog foi meu desconhecido até este ano. Com Grizzly man e Aguirre, der zorn Gottes entra muito confortável no all-star. Aguirre foi, ao mesmo tempo, uma das obras ofereci para assinalar 2008.
Christopher Nolan. Já o conhecia mas não como em 2008. Após Following e Memento, rendo-me: tu és dos eternos por causa destes dois. Vamos fingir que nunca fizeste os Batman, no entanto, ok?
Michel Gondry. Obrigado França (novamente), este senhor passa de uma mera fantasia de realizador de videoclips para um dos mais elevados patamares dos eternos. Vi tudo seu e repeti tudo o que vi. São 4 os seus filmes e todos eles merecem a mais extremada atenção. Este senhor tem uma maneira diferente de apresentar as coisas e pode ensinar duas ou três coisitas novas. Human nature, Eternal sunshine of the spotless mind, Be kind rewind e La science des rêves. Obrigatório.
Com Les chansons d’amour começo a ouvir falar de Christophe Honoré (em Dans Paris não olhei ao nome do realizador). Vejo-o no cinema pela La belle personne. Adoro-o. O seu lirismo é clássico, os seus filmes já não se fazem.É um cinema francês alternativo ao alternativo. Espero conseguir encontrar o resto dos seus filmes, porque não está fácil.
Como deve ser boa a vida na Suécia! Como Bent Hamer nos mostra como deve ser boa é que é incrível! As duas pérolas que vi fizeram este senhor sair do desconhecido para o MUITO BOM. Tudo simples, nada de grandes artifícios, mas tudo tão singelo e tão bonito. Como deve ser bela a vida na Suécia, repete-se… procurei os seus filmes para oferecer. É um desconhecido ainda! Viu-se Salmer fra kjøkkenet e O’Horten, qual o mais belo!
Teresa Prata ganha prémios no estrangeiro com Terra Sonâmbula (baseado no conto de Mia Couto) e só a descobrimos em Portugal no Indie. Faz filmes sobre Portugal, sobre Moçambique, sobre a história recente de nós e não a encontramos em lado nenhum. Por insuficiências financeiras, adivinha-se, não faz tanto quanto o seu talento permite. A acompanhar, sem dúvida.
Os assinaláveis
Isto é o que de mais importante me acompanhou no ano. E se forem medicamentos, melhor, porque fazem muito bem à saúde.
Tudo de Wong Kar Wai
Aguirre, der zorn Gottes, Werner Herzog
A Zona, Sandro Aguilar
La zona, Rodrigo Plá
Barton Fink, Coen Brothers
Bent Hamer
Tudo de Michel Gondry
Tokyo, Leos Carax, Michel Gondry e Hoon Bong-Jo
Tudo de Paul Thomas Anderson
Tudo de Wes Anderson
Boxing Day, Kriv Stenders
Saibogujiman kwenchana, Chan-wook Park
The exorcist, de William Friedkin
Menção honrosa
Não são assinaláveis, mas quase quase, destacam-se imensamente dos outros que nem chegaram a ser mencionados.
Bug, William Friedkin: pela estética, pela poeisa
Coeurs, Alain Resnais: por Paris
Eastern promises, David Cronenberg: pela continuação da aventura
Ed Wood, Tim Burton: pelo riso, pelo Depp
Manufactured landscapes, Jennifer Baichwal: por me mostrar o que valemos
Naked lunch, David Cronenberg: por toda a loucura, porque é vida
Tropical thunder, Ben Stiller:por Hollywood, pelo passado, pelo Ben
Starman, John Carpenter: pelo comentário da Sofia
A animação
A ocupar cada vez mais um lugar de destaque nos meus visionamentos (já tem lugar para si na estante), apresentam-se os seguinte assinaláveis.
Peur[s] du noir, Blutch, Charles Burns, Marie Caillou, Pierre di Sciullo, Jerry Kramsky, Lorenzo Mattotti & Richard McGuire
Pixar shorts, Pixar
Ratatouille, Pixar
The iron giant, Brad Bird
WALL-E, Pixar
Waltz with Bashir, Ari Folman
Metropolis, Rintaro
Persepolis, Vincent Paronnaud & Marjane Satrapi

